Resíduos industriais: entenda o que são e como eles são classificados

Diante de um cenários de desafios econômicos e ambientais, a indústria precisa repensar as suas práticas. Nos últimos anos, presenciamos grandes acidentes decorrentes de mal-gerenciamento de resíduos industriais, causando danos permanentes ao meio ambiente e, até mesmo, mortes. Por isso, é preciso ficar atento aos procedimentos necessários para a limpeza e o correto manuseio, em como o transporte e destinação dos resíduos industriais. 

A boa notícia é que o tratamento desses materiais pode, até mesmo, gerar ganhos financeiros e fortalecimento para a sua marca. Quer entender um pouco mais sobre resíduos industriais e como eles devem ser tratados em sua empresa? Confira o que preparamos a seguir! 

O que são resíduos industriais?

Os resíduos sólidos industriais são os que resultam de atividades industriais. Eles têm características que tornam o descarte comum inviável em corpos d’água ou na rede pública de esgoto. 

Para que eles sejam descartados corretamente, é preciso fazer um plano de gestão de resíduos, baseado na classificação desses materiais. A partir disso, são definidas etapas de manipulação, armazenagem, coleta, transporte e destinação de acordo com cada tipo de resíduo gerado. 

Em alguns casos, os resíduos precisam de um pré-tratamento antes de serem encaminhados. As latas de alumínio, por exemplo, são prensadas para que não gerem tanto volume. Já as águas ácidas precisam passar por ajustes de pH para reduzir a periculosidade do transporte e o risco de danos ao longo da cadeia logística.

Além da classificação dos resíduos, é preciso que a destinação correta de resíduos também considere:

  • quantidade;
  • quais são os métodos e técnicas ambientalmente viáveis para o tratamento;
  • qual é a disponibilidade, os resultados a longo prazo dos métodos de tratamento de resíduos. 

Como eles são classificados?

Os resíduos possuem características próprias: aspectos químicos, físicos e biológicos, bem como qualidade e quantidade de amostra. É por meio da análise desses atributos que classificamos os resíduos para que eles sejam descartados de maneira menos agressiva ao meio ambiente.

Por meio da observação de características como aspecto geral, cor, grau de heterogeneidade, estado físico, atividade industrial, processo de origem e constituinte principal, classificamos os resíduos de acordo com as diretrizes estabelecidas pela NBR 10.004/04 da ABNT. Conheça as classificações a seguir.

Resíduos industriais de classe I (perigosos)

Estes são os resíduos que apresentam grande periculosidade e características específicas, como inflamabilidade, toxicidade, corrosividade e patogenicidade. Eles estão presentes em diversos materiais presentes no dia a dia, como cartuchos, latas de tinta, pilhas, tonners, remédios vencidos e pneus. 

Apesar de serem perigosos, com o devido tratamento, eles podem ser reaproveitados, pois muitos possuem mercúrio, cádmio, níquel e chumbo. Vale conferir a Resolução CONAMA 401, de 2008, que estabelece os limites de limites máximos desses elementos em pilhas e baterias e também as diretrizes para seu correto gerenciamento.

Resíduos industriais de classe II A (não inertes)

Os resíduos de classe II A, conhecidos como resíduos não perigosos e não inertes, não apresentam aspectos de periculosidade. Contudo, podem ter características de combustão, solubilidade e biodegradabilidade em água.

Os resíduos mais conhecidos dessa categoria são os orgânicos, que podem ser transformados e terem seus nutrientes reaproveitados. Materiais têxteis, fibras de vidro limalha de ferro, lodo de filtros, poliuretano, gessos e Equipamentos de Proteção Individual (desde que não contaminados) também se encaixam aqui. 

Resíduos industriais de classe II B (inertes)

Já os resíduos industriais de classe II B, também entendidos como não perigosos e inertes, ao serem submetidos a testes de solubilização, não apresentam concentrações superiores aos padrões de potabilidade de água.

Alguns exemplos de resíduos dessa categoria são pedras, areia, sucatas de ferro, borrachas, latas de alumínio, madeiras, entulhos de demolição, entre outros. Esses resíduos devem ser encaminhados para aterros sanitários e podem ser reciclados. 

Os perigos do descarte incorreto

Quando descartados da maneira incorreta, os resíduos industriais podem causar impactos muito negativos ao meio ambiente, trazendo consequências sérias para a comunidade que circunda a empresa e, consequentemente, para a reputação da companhia. Em tempos de compliance e de gestões sustentáveis, obedecer e ir além das normas e legislações para proteger os recursos naturais e oferecer segurança para as pessoas é essencial. Vale lembrar que as legislações cabíveis no Brasil são bastante avançadas, incluindo a Política Nacional de Resíduos Sólidos, a Política Nacional de Educação Ambiental e a Política Federal de Saneamento Básico.

Para além dos danos à reputação da empresa e à comunidade, o não cumprimento das normas dispostas pelas leis causam sanções penais e administrativas, previstas pela Lei nº 9.605/1998. As penas variam de multa a prisão.

Por que fazer o descarte da forma correta?

O descarte de resíduos industriais da forma correta não só contribui com a manutenção do meio ambiente e do bem-estar da comunidade como fortalece a gestão da companhia por meio de uma postura alinhada com as demandas de sustentabilidade do presente.

Com políticas de compliance e sustentabilidade, as empresas fortalecem suas marcas e geram novas oportunidades de negócios. Em 2018, estimava-se que o Brasil perdia cerca de R$5,7 bilhões ao ano por não reciclar resíduos plásticos.

Como descartá-los da maneira ideal?

Como dissemos anteriormente, os resíduos industriais devem ser descartados mediante as diretrizes de um plano de resíduos industriais, que os classifique e estude os tratamentos mais adequados. Há uma série de processos físicos e térmicos para isso, como você pode conferir a seguir.

Processos térmicos

Há diversas técnicas que se baseiam na aplicação de calor nos materiais:

  • incineração: técnica de combustão controlada para degradar materiais como borras oleosas, alguns tipos de embalagens, sacarias e bombonas;
  • co-processamento: resíduos como logos, materiais sólidos e borras oleosas são usados como combustível alternativo ou matéria-prima para a fabricação de cimento;
  • plasma: aplica-se um gás ionizado a temperaturas superiores a 3000 ºC;
  • pirólise: o resíduo orgânico é decomposto por meio do calor na ausência de oxigênio.

Processos físicos

Geralmente, os processos físicos são aplicados como pré-tratamento para os resíduos industriais. Conheça alguns deles:

  • separação gravitacional: nessa técnica de separação, são exploradas as diferenças de densidade entre as fases;
  • centrifugação: esse processo mecânico de separação explora as diferentes densidades da mistura pela ação da força centrífuga;
  • redução de partículas: por meio de processos mecânicos formados por peneiras e moinhos que reduzem o tamanho dos resíduos.

É importante que esses processos sejam muito bem analisados por sua empresa e a companhia responsável pela destinação dos resíduos. Afinal, o ideal é que os materiais possam ser reaproveitados e apenas aquilo que não gerar algum tipo de benefício deve ser incinerado. Óleos residuais, por exemplo, podem ser armazenados e enviados para empresas licenciadas que realizem o re-refino e o correto reaproveitamento. Resíduos orgânicos podem virar adubo por meio da compostagem.

O tratamento de resíduos industriais é essencial para as empresas que desejam fortalecer a sua imagem, alinhar-se com as legislações e explorar novas oportunidades de mercado. Para isso, é essencial que elas contem com companhias experientes, que garantam o correto gerenciamento dos resíduos e apoiem a manutenção da responsabilidade corporativa.

E já que falamos em responsabilidade nas empresas, confira também o nosso artigo sobre validação de limpeza e garanta a qualidade de suas entregas no mercado!

Compartilhe: